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Saudade

01 fevereiro 2017

  Quanto tempo, não é mesmo? Não abandonei aqui não, fiquem despreocupados. É que a vida andou cobrando tempo demais e eu perdi minha inspiração. Mas chega dessas desculpas, bora conversar.
  Dia 30 de janeiro é nacionalmente conhecido como o dia da saudade, e quando se trata de saudade, muita coisa vem na minha mente. Então, resolvi transformar a metade do que vem na cabeça em um post.

  Mas e você, o que vem na sua cabeça quando se trata de saudade??


             A minha saudade
  Em quantas coisas nosso cérebro nos permite pensar quando escutamos a palavra "saudade"? E ao escutar, quantos sentimentos somos capazes de sentir? Na maior parte do tempo a saudade é mais que uma palavra, mais que um sentimento. Ela é a forma de relembrar momentos inesquecíveis, sejam eles ruins ou bons. Até porque de certa forma, se há presença desse sentimento, algum momento valeu a pena.
  Milhões de coisas passam pela minha cabeça. Sejam pessoas, momentos ou até algum objeto, que automaticamente me faz recordar os dois.


  Ultimamente, com a aproximação do meu décimo oitavo aniversário, passei a ter saudade de muita coisa e de muitos detalhes antecipadamente. É intenso olhar fotografias antigas e perceber o quanto a minha vida andou. Em todas as direções. Dá uma saudade imensa em rever a garotinha que viveu sem preocupações. Mas, quem é que não sente falta desse tempo?
  O bom de olhar para trás é perceber que, mesmo sendo tão nova, eu tenho muitas boas historias para contar. É bom ver que a criança que fui aproveitou tudo no tempo certo.
  

 Há alguns anos atrás eu estava saindo da minha pré adolescência e encarando o mundo conturbado dos adolescentes. Mas agora, estou a um fio de adentrar em minha fase adulta. E as vezes me pergunto "como é que eu não vi o tempo passar tão rápido assim?".
  Nesses momentos, a vontade de voltar no tempo é muito grande. Voltar a brincar de pique-esconde, vibrar em cada novo lançamento de uma Barbie, pedir pra minha mãe escolher uma roupa para eu usar ou pedir colo toda vez que eu tiver um problema. Meu Deus, que saudade, não?


  Infelizmente, não posso voltar nesse tempo e nem ser quem fui. Mas posso olhar para trás e me orgulhar de tudo isso. De quem fui e o que fiz. Pois se hoje sou o que sou, se hoje conquistei meu espaço, devo tudo isso a mim mesma de muitos anos atrás e por cada ano que vivi ter colhido experiências para a chegada dos meus 18 anos. 

Obrigada Sra. Saudade, por me lembrar que tudo até agora valeu a pena.

O tempo é o melhor remédio, sim.

19 janeiro 2016

Foto retirada do www.mysterychannel.com.br todos os direitos reservados.
Não tive muitos relacionamentos, posso não ter experiências para contar. Mas aprendi tanto assistindo, lendo e escutando que na teoria eu posso dizer muito, como se eu já tivesse vivido anos ou conhecesse vários tipos de pessoas. Quem já conversou comigo, comprova isso.

Quando tratamos de fins de relacionamentos, nunca sabemos o que dizer pra ninguém. E muito menos sabemos como nossas palavras irão refletir na pessoa, de verdade.

Podemos dizer que ninguém vai substituir as memórias que x pessoa deixou, mas esquecemos que com o tempo aquelas memórias, vão ser apenas memórias. E que as pessoas não são insubstituíveis. Existem mais pessoas no mundo, pessoas das quais vão poder te trazer mais sorrisos.

Não te prenda à alguém. Existem relacionamentos que são, literalmente, uma prisão. Onde o casal esquece de viver como pessoas, só vivem como casal, um pelo o outro e não um para o outro. Isso é o que faz um término ser mais árduo, e o tempo demorar mais pra passar. Mas, amigo, você nasceu sozinho, não grudado, não se prenda à alguém e não aceite se sentir preso. Não faz bem pra ninguém.

Tome tempo, tempo pra você. Conheça o que deixou de conhecer. Saia quando achar que precisa. Olhe mais o céu. Fale com pessoas que você sempre quis conversar. Faça novas amizades. Vá para lugares legais. Mas nunca se sinta no fim da linha, porque você não está. É um fim de um ciclo e começo de outro. Ser solteiro também pode significar amplificação pra mente e coração.

Quando escutar um "acabou", não se desespere. Aceite, chore, desabe mas se recupere. E se escutar um "vamos dar um tempo" lembre-se: dê tempo ao tempo, pois o tempo é o melhor remédio.

Ato de boa vontade

27 dezembro 2015

Eu tenho uma pergunta: por que somos tão individuais em muitas situações?


É uma pergunta curiosa, não é? Bom, todos nós sabemos que precisamos de alguém, mesmo que não pareça, nós precisamos. Um dia iremos precisar. Mas a questão que quero chegar não é apenas ter alguém ou viver sozinho. A questão é apenas saber lidar com mais de 7 bilhões de pessoas ao seu redor. É saber ser humano. 

Vejo cenas frequentes de pessoas um tanto quanto arrogantes, que ignoram coisas simples. Que fazem comentários sem necessidade e ofensivos em rede social. Que não ajudam um senhor ou uma senhora, que negam um alimento, que não oferecem um terço do seu tempo e sua disposição só para ajudar alguém. Você não precisa ser um super-homem ou uma mulher maravilha para ajudar e fazer o dia de alguém talvez um pouco diferente. Um ato de boa vontade pode ser uma frase, um sorriso ou um simples gesto.

Podemos fazer coisas para mudar o mundo como: levar consigo um pouco de ração na mochila, para um cachorrinho abandonado na rua. Em dias de calor tem uma garrafa d'água a mais, para um morador de rua. Doar roupas que você não usa e nem vai mais usar, para alguém que não tem condições de ter uma peça. Gastar 2 reais em pão para alimentar uma criança ou qualquer outro morador de rua. Parou pra pensar que muitos estão na rua não porque querem? Não só diga que falta amor. Faça existir o amor.

Em muitas das nossas situações corriqueiras esquecemos que o nossos problemas se tornam pequenos em meio a tantos outros. E que "bom dia, com licença, por favor, desculpa, obrigada, sorria!, parabéns!, boa tarde/noite, como vai você?, como foi seu dia?" e tantas outras palavras boas existem, e que mudam o nosso dia. São palavras que tem um significado imenso. Escutar o que uma pessoa tem pra dizer, sem dúvidas, é uma das melhores coisas que podemos fazer. Você percebe que o mundo não gira só ao seu redor, e que ajudar as pessoas se torna um ato tão bom. 

Tudo isso parece besteira? Besteira talvez para você que tem uma vida boa, não passa stress, não precisa pegar um ônibus lotado, escutar seu chefe reclamar, ter mil contas e dívidas e o dinheiro não ser suficiente para pagar todas. A vida é fácil pra quem não arca com suas próprias necessidades e responsabilidades. Né? Você ri e acha tosco por que talvez uma pessoa se contenta com pouco? Faça melhor. Ajude e pare pra pensar que muitas pessoas tem histórias incríveis para contar, e você é quem se contenta com pouco.

Não digo para você ajudar apenas aqueles moradores de rua, que de fato são os que mais precisam. Mas muitas vezes as pessoas que também precisam ser escutadas estão do nosso lado, pode ser seu pai, sua mãe, algum familiar ou amigo. São tão próximos, mas passamos tanto tempo preocupados conosco que esquecemos de quem está do nosso lado, esquecemos que problemas existem para todo mundo. 

Saiba que palavras e gestos fazem mais a diferença que você reclamar da sua vida em suas redes sociais. Já percebeu que vida maravilhosa você tem? Que você mora na sua casa, dorme na sua cama e que você não tem preocupação com o que comer amanhã? Pois é. Comece a dar valor para coisas que realmente importam, que você verá seus problemas diminuírem. E verás que seus pais estão apenas preocupados. Que tal começar a entender os seus pais ao invés de dizer que eles que não te entendem? Acredite, eles conhecem mais o mundo que você, já vivenciaram mais situações que você.

Não ignore um "bom dia" de alguém, não ache invasivo alguém perguntar como é que foi o seu dia. Solte palavras boas, o mundo precisa disso. O mundo precisa de mais sorrisos e mais cor. De gente que goste de gente. De seres humanos sendo seres humanos. Mande mensagens, demonstre como puder. Mas lembre as pessoas que a vida foi feita para se viver, e não para se lamentar. Que problemas é apenas uma das composições de uma vida.

Me vê dois cafés, bem quentes, por favor.

06 outubro 2015

Continuação da parte 1, para conferir a primeira parte clique aqui.
Todos os direitos da imagem reservados ao link
Cheguei em casa e nem olhei para os meus pais. Subindo para o meu quarto, disse ao meus pais que estava cansada e gostaria muito de ir dormir, fechei a porta do quarto, a tranquei e gostaria que fosse assim, eu e a solidão. Mas, minha mãe logo foi atrás de mim. Sem ter mais forças de dizer que eu não queria conversar, apenas destranquei a porta e comecei a chorar descontroladamente. Quando me acalmei, comecei a contar toda a história e escutar as suas palavras, que pareciam me abraçar a cada frase que saia da sua boca. E naquele papo e carinho de mãe, acabei adormecendo.
Na manhã seguinte acordei um pouco melhor, e o dia também. Estava um sol e um calor bom. Desci e tomei café com meus pais. E quando voltei para o meu quarto vi coisas que não queria, lembrei do que hesitei em pensar por algumas horas. Olhar aquelas fotos, aqueles nossos sorrisos, lembrar que cada passo que dávamos agora é uma lembrança naquele mural era uma tortura pois eram lembranças que eu queria esquecer. Com as lágrimas quase escorrendo pelo meu rosto, lembrei que eu ainda tinha um celular e pessoas que me amavam, então fui procura-lo para saber se um indivíduo, aquele que estava no meu mural, teria sido insistente demais durante o resto do dia. E foi aí que o desespero bateu, não achava o meu celular em lugar algum, nem no meu carro, nem na minha bolsa. Daí me lembrei que a última vez em que estive com ele em mãos havia sido na cafeteria, e assim que sai de lá esbarrei em um garoto e naquele exato momento em que esbarrei, o celular deveria ter caído.
Eu fiquei paralisada, o que mais poderia acontecer para me deixar mais para baixo? Fiquei andando de um lado para o outro até que liguei meu computador. Assim que fiz loggin no meu perfil do Facebook, vi que haviam algumas mensagens não lidas, inclusive a da minha melhor amiga, eu não havia dado notícias a ela e aposto que estaria desesperada por um sinal meu. Eu logo abri a mensagem que dizia o seguinte:
"Amiga, estou preocupada com você. Não me deu notícias desde de quando disse que iria sair com o chato do seu namorado. Liguei para o seu celular e um garoto estranho atendeu mas ele nem sabia o seu nome. Pensei que havia errado o número, mas estava certo, então pensei no pior das piores coisas que poderiam ter acontecido. Mas ele disse que você havia deixado o celular cair e estava tentando se comunicar com você para devolver, mas só um garoto estressado e insistente que estava ligando (sem dúvidas que seria o seu namorado). Ele me pediu para avisar você que está com seu celular e também pediu para você encontrar ele hoje as 17 horas na mesma cafeteria. Eu fiquei assustada. Se você quiser, eu vou com você. Se for trote por favor não vá. E se for me mande notícias, ainda tô praticamente sem entender nada. Beijos. Amo você."
No momento em que li que alguém ainda estava com meu celular, me bateu um breve alívio. Eu a respondi, expliquei como perdi meu namorado, e claro, o celular. Avisei que não era necessário ir comigo, que estava tudo bem e que não era um trote. Liguei para o meu celular, para confirmar a tal história. E no segundo toque alguém atendeu:
- Pronto!
- Oi, então. Eu perdi esse celular, quem está com ele?
- Ah, você é aquela garota que derrubou o café no meu amigo, não é mesmo?
Naquele exato momento eu congelei e rapidamente veio a cena do que havia acontecido, e consequentemente, o sorriso não estranho dele me veio em mente.
- Alô? Você ainda está aí?
- Oi, sim estou. Como faço para buscar? E te recompensar pelo o favor, é claro.
- Foi sua amiga ou o cara chato que te avisou? Ele é seu namorado? Ele ficou bem irritado em escutar minha voz.
Eu já estava irritada pois ele não respondia nenhuma das minhas perguntas.
- Não, ele não é meu namorado. E foi a minha amiga que avisou. Então, posso buscar as 17 horas na cafeteria?
- Interessante. Pode sim, estarei lá.
- Ok. Obrigada!
E eu desliguei.
Eu fiquei paralisada. Eu mal sabia quem era o garoto, mal poderia lembrar direito quem ele era. Mas algo me dizia para ir tranquila, para confiar nele, mas por qual motivo eu teria essa impressão que ele era uma pessoa boa? Talvez porque ele não ficou com o meu celular?
Foi nesses pensamentos que me perdi no tempo, e quando me dei conta já estava quase atrasada para a faculdade. Eu quase não me levantei, mas precisava. Aliás, não dava para ficar pensando no improvável e de bônus ainda me reprimir com a tristeza e angustia que não saía de mim.
Quando cheguei na faculdade encontrei minha amiga e ela me deu um abraço tão forte que eu jamais teria a soltado. E logo começamos a conversar sobre o que eu mais gostaria de esquecer. Ela sempre fez questão de lembrar que odiava o meu atual ex namorado e que ele era um idiota. Se fosse algumas horas atrás eu jamais concordaria, mas naquele momento eu sabia que ela estava certa, sempre esteve.
O sinal tocou e logo subimos para a sala, tudo o que eu queria era a minha cama, uma panela enorme de brigadeiro e ficar a sós com meus seriados e minha nova amiga, a tristeza. Mas eu tinha que estar lá, as 14 horas na mesma faculdade, olhando para as mesma pessoas, mantendo a pose de que estava bem, sem estar.
A primeira aula foi difícil de acompanhar, cada palavra que o professor dizia me fazia viajar, e por segundos pensei que estar presente e estar em casa seria a mesma coisa.
Quando acabaram as aulas, me lembrei que eu tinha algo para fazer: buscar meu celular com o Sr. Marrentinho do sorriso bonito e que não me é estranho. Minha amiga se ofereceu novamente para me acompanhar, na opinião dela era muito estranho em pleno século 21 uma pessoa devolver o celular achado, mas BINGO! Uma coisa boa em tantas outras ruins.
Eu cheguei no horário marcado, talvez quase, na verdade uns 10 minutos depois do horário marcado. Eu não recordava direito como ele era, mas assim que entrei na cafeteria fui direto para o mesmo lugar do dia anterior. Ainda esperei por volta de 10 minutos até que ouvi a porta abrir. No momento em que olhei, nossos olhares se cruzaram e eu vi aquele sorriso, pude ter certeza de quem eu estava esperando havia acabado de chegar.
Ele veio em minha direção e me cumprimentou, antes de se sentar ele disse:
- Antes de te entregar, me diz seu nome, foi difícil tentar se comunicar sem saber o seu nome.
- Oi marrentinho. Meu nome é Bruna, e o seu?
- Marrentinho? Como assim?
- Marrentinho por não responder algumas perguntas, como a que fiz a segundos atrás.
- Ah sim (ele riu). O meu é Marcelo, mocinha. Seu nome é muito bonito, porém prefiro te chamar de Bru, posso?
- Pode sim Sr. Marcelo!
Ele se sentou e entregou o meu celular. Assim que entregou meu celular ele chamou o garçom e pediu dizendo:
- Dois cafés bem quentes que a conversa vai ser longa, por favor.
Ele sorriu para mim e eu sorri de volta. Nós conversamos muito e sobre tudo. Descobri que ele era da mesma faculdade que a minha, porém de curso e prédio diferente, por isso nunca nos encontramos. Eu reparei muito nele e vi que além do sorriso bonito a cor de seus cabelos eram meio acobreados de uma cor difícil de se encontrar, seus olhos eram mel, e sua pele branca feito neve, parecia um anjinho. Nessas comparações na minha mente e os nossos assuntos que pareciam não ter fim. Não percebi que as horas poderiam passar tão rápido e quando me dei conta já estava tarde e eu, como sempre, não havia dado notícias à ninguém. Eu disse a ele que eu precisava ir, e então ele me acompanhou, e por pura coincidência o carro dele estava estacionado ao lado do meu. Assim que me despedi, ele disse:
- Espero que não se incomode mas tirei algumas fotos no seu celular e gostaria que me enviasse, então gravei meu número nele, ok?
- Não acredito! Achei que nesse mundo as pessoas ainda eram menos aproveitadoras!
Nós rimos. Eu disse que estava brincando e que não tinha problema. Antes de entrar no carro, eu o abracei e agradeci por ter ficado e devolvido o celular, perguntei se ele gostaria de alguma recompensa e ele respondeu:
- Minha recompensa foi poder te ver de novo e a recompensa maior será me mandar as fotos e ainda me dizer o que achou.
E ele sorriu. Naquele momento tive a certeza de quem tinha ganhado a recompensa, e com certeza, era eu mesma. Entrei no carro e ele entrou no dele. Viramos e fomos por caminhos diferentes, o sorriso estampado em meu rosto durou até o instante de escutar meu celular tocar e eu anteder.
[Continua]

Tema do projeto Palavra & Foto: "E a cada passo que demos era uma lembrança para o nosso mural."

...Com o vento frio soprando...

13 setembro 2015

Todos os direitos da imagem reservados ao link.
Estávamos em um pier, olhando para o mar, o tempo estava fechado e sua expressão facial também. Com o vento frio soprando no meu rosto, eu pude sentir que além do vento, o seu abraço estava mais gelado do que nunca. Ele foi rude, e eu não o entendia mais, ele não era o mesmo, algo havia mudado. Mas o quê? Eu tinha o direito de saber, aliás, todo esse tempo eu deveria saber de tudo, ele sempre soube de tudo. Eu fui insistente, mas juro que em alguns segundos me arrependi de ter insistido tanto.
Depois de suas palavras, naquele exato momento, eu não pude conter a lágrima que estava prestes a escorrer, e mais as outras cinquenta que escorreram junto. Naquele momento, eu já não sabia mais nada, eu já não reconhecia ele e muito menos onde eu estava. Meu cérebro parou e meu coração se despedaçou. Eu não queria entender que aquilo era um fim, que não iria mais existir eu e ele, que todos meus planos estavam acabados, assim, em questão de segundo. Eu não queria. Eu não acreditava em finais felizes como os da Disney, mas eu imaginava um final melhor, na verdade, eu não imaginava um final, não para nós. Então, eu fechei meus olhos e coloquei as mãos em meus ouvidos, eu não aguentava escutar cada justificativa que ele me dava, tentando explicar o que não tinha explicação. E quando abri meus olhos, por alguns segundos, meu mundo parou, virou e ficou cinza. Pode parecer dramático, mas não há dor maior do que ouvir aquelas palavras que você não quer escutar. E em seguida perder quem você não quer perder.
Eu olhei bem em seus olhos e disse para não me procurar nunca mais, o que me doía só de pensar era que aquele olhar confuso que ele tinha e que eu tanto amava eu estava prestes a ser obrigada a esquecer. Eu me levantei e sai, andei rápido, pois o que eu mais queria era chegar logo em meu carro, eu ainda escutei sua voz me chamando, mas nem hesitei em olhar para trás, eu tinha nojo só de lembrar de suas palavras, de lembrar que ele me disse sutilmente que dormiu com outra enquanto dizia que me amava. Isso nunca pode ser o amor, mas se caso isso for o amor, eu nunca mais quero amar. Entrei no carro, e me desfiz nas minhas lágrimas. Eu estava mais decepcionada do que triste. Eu queria saber esquecer uma pessoa na mesma intensidade que elas nos magoam, a vida seria claramente mais fácil de lidar.
Liguei o carro e fui dirigindo sem direção, eu ainda morava com meus pais, eu não queria chegar no estado em que me encontrava em casa. Então parei na primeira cafeteria que encontrei, depois de meia hora que havia estacionado o carro, tentando concertar o estado da minha estética, desci e comprei o maior copo de café que tinha a venda. Sentei em uma mesa com uma janela e vi que o tempo estava mais fechado do que nunca e ao olhar o céu, relembrei que a última vez que reparei o tempo fechado, caiu um tempestade no meu coração. Não demorou muito para meus olhos encherem de lágrimas, era difícil ter que encarar o que tinha acontecido. Mas respirei fundo e tentei sorri, mas foi tentativa falhada, nem um sorriso, não naquele momento e a impressão que eu tinha era que seria assim por mais um tempo. Foi no momento em que tomei mais um gole de café e escutei meu celular tocar, em seguida me arrependi de ter me importado em olhar. Assim como eu, ele era insistente, me ligou mais vezes até que atendi:
- Alô?
- Até quem fim me atendeu.
- Não deveria, mas você insistiu tanto que resolvi fazer tal caridade. Já disse pra não me procurar mais, vou ter que trocar de número?
- Não seja tão precipitada, nós não terminamos de conversar.
- Terminamos tudo, inclusive a conversa.
- Para com isso, você nem me escutou direito. Eu disse para você que eu mudei, depois disso eu me arrependi e...
- Chega! Você é a prova viva que homens não mudam nem se eles quiserem e que pensam igual a qualquer situação, na verdade que pensam só depois de agir, que já é tarde demais. Não vem se desculpar, não tem essa de estar arrependido. Eu já disse, me esquece.
- Não! Não vou te esquecer, você sabe que me tem nas mãos, sempre teve. Eu estava fora de mim, você tem que acreditar que eu te amo.
- E que valor tem esse "eu te amo"? O mesmo que você me deu quando me traiu?
E eu desliguei.
Eu não conseguiria escutar mais nenhuma palavra após ter dito aquilo. Sem conseguir me segurar, comecei a chorar mais. Já constrangida da minha situação, me levantei para ir em direção ao meu carro e chorar até não poder mais. Infelizmente, no momento em que estava procurando a chave do carro na minha bolsa, esbarrei em um garoto e derrubei todo o meu café que estava na minha mão na roupa dele. Eu fiquei tão envergonhada que não conseguia nem olhar para cara dele, sem falar que ele estava acompanhado. Estava com uma garota, que ficou furiosa comigo e que por sinal era sua namorada. E mais um garoto, do qual riu muito do acontecido. E foi exatamente desse sorriso que fiquei encantada.
Eu pedi incontáveis desculpas para o garoto até que ofereci dinheiro para comprar uma camiseta nova e ele disse que não precisava, que estava bem. Acho que ele percebeu que eu estava tão vermelha e com os olhos tão inchados que teve dó de mim. Mas o mais incrível foi o tal amigo dele, depois que ele parou de rir ele ficou me olhando, eu nem havia reparado nele até reparar naquele sorriso tão diferente, mas tão lindo e que não me era estranho. Chegando no meu carro, eu me lembrei o por qual motivo acabou acontecendo tudo aquilo e logo me senti um nada e comecei a chorar, de novo. E em algum momento me perguntei se em algum instante eu iria voltar a sorrir e ter mais motivos para querer ter alguém, ou alguém me daria motivos para sorrir.
 [Continuação]
Tema do projeto Palavra & Foto: Com o vento frio soprando...
Veja também o blog das outras participantes: Nina! e Patricia Lobo

Segredos

30 agosto 2015

Segredos é o segundo tema do projeto "Palavra+Foto" 


   Segredos são pensamentos trancados com cadeado dentro do coração ou são cadeados que prendem um fato? Eu gosto de classificar os segredos como a opção dois, o cadeado que prende o fato. Existem vários tipos de cadeados, existem aqueles que são impossíveis de abrir e aqueles que são mais fáceis de abrir. Aqueles que quando estão abertos, não se fecham nunca mais e aqueles que quando se abrem, existem vários outros para chegar no fato.
   Todos nós temos pelo menos dez cadeados, podem ser cadeados compartilhados, cadeados secretos, cadeados escondidos na mente ou no coração. Existem aqueles cadeados que só você sabe e no fundo nem você sabe, e tem aqueles que todo mundo sabe. Opa, espera aí, esses também são cadeados? Ou não?
   Exitem também aqueles cadeados que são para ser decifrados, esses são, particularmente, os mais legais que existem e mais compensadores de se tentar abrir. Sabe por quê? Porque são os que tem as melhores coisas escondidas. Geralmente esses servem para abrir o coração. E a melhor parte é se aventurar com as recompensas que existem dentro de cada um. Só de imaginar me dá vontade de decifrar mais de mil. Só temos que ter cuidado. Algumas pessoas não tem coisas boas depois que você desvenda esse cadeado.
   Tem pessoas que se poupam de possuírem esses cadeados, mas dentro delas existem milhares de outros cadeados. E eu te pergunto, vale a pena conhecer uma pessoa assim? Eu admiro pessoas assim, que não tem medo de se envolver, que se poupam de romantismo, mas será mesmo? Ou será que é só um teatro para as pessoas acharem que elas são fortes o suficiente?
   Cadeados são legais, e existem questões sobre as pessoas que nós temos em nossas mentes que só sabendo sobre esses cadeados e tentando abri-los que nós saberemos mais. E é assim que os nossos cadeados chamados de segredos nos fazem ser e não ser pessoas que queremos ou não queremos ser. E o seu cadeado, fica exposto ou escondido? É fácil ou difícil? É secreto ou está aberto? É seu ou é de outros?

Outros blogs participantes: Desenhando pelo caminho Enquadrando Momentos  Nina my dog  Tatiane C 

Flores

09 agosto 2015

Flores é o tema do projeto "Palavra+Foto" 

Cada pétala uma fase. 

 Cada pétala que se cai de uma flor, é um ciclo formado, uma fase que terminou. As mulheres são flores, e nossas fases, são as pétalas. Somos flores com pétalas incontáveis. Cada vez que uma pétala cai, outra se forma. Quando a sua flor começa a murchar, você precisa mostrar à ela a luz do sol, você precisa rega-la. E ainda mais, rega-la de carinho. Precisamos cuidar das mulheres, assim como cuidamos de uma flor. Sem indiferença. E sempre temos de tomar cuidado para que ninguém as pise. Somos flores, das mais belas até as mais perfumadas, que encantam o dia de quem nos vê, esbanjando beleza. E se não existem padrões de beleza para as flores, não existem padrões de beleza para uma mulher. Somos todas lindas, as flores são lindas. Somos perfeitas do nosso jeito. E ninguém irá pisar e nos despedaçar. Somos lindas e fortes por dentro, só precisamos as vezes ser regadas, ver a luz do dia e receber um pouco de carinho, mas somos lindas e não somos indiferentes. Temos direitos. Nós somos flores. Nós temos fazes, temos pétalas. Mas além de tudo, nós mulheres, somos seres humanos, podemos até parecermos frágeis como uma flor, mas somos humanas como qualquer outro ser humano. Não somos um sexo frágil. Somos flores.


Outros blogs participantes: Desenhando pelo caminho Enquadrando Momentos  Nina my dog  Tatiane C 

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