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Ato de boa vontade

27 dezembro 2015

Eu tenho uma pergunta: por que somos tão individuais em muitas situações?


É uma pergunta curiosa, não é? Bom, todos nós sabemos que precisamos de alguém, mesmo que não pareça, nós precisamos. Um dia iremos precisar. Mas a questão que quero chegar não é apenas ter alguém ou viver sozinho. A questão é apenas saber lidar com mais de 7 bilhões de pessoas ao seu redor. É saber ser humano. 

Vejo cenas frequentes de pessoas um tanto quanto arrogantes, que ignoram coisas simples. Que fazem comentários sem necessidade e ofensivos em rede social. Que não ajudam um senhor ou uma senhora, que negam um alimento, que não oferecem um terço do seu tempo e sua disposição só para ajudar alguém. Você não precisa ser um super-homem ou uma mulher maravilha para ajudar e fazer o dia de alguém talvez um pouco diferente. Um ato de boa vontade pode ser uma frase, um sorriso ou um simples gesto.

Podemos fazer coisas para mudar o mundo como: levar consigo um pouco de ração na mochila, para um cachorrinho abandonado na rua. Em dias de calor tem uma garrafa d'água a mais, para um morador de rua. Doar roupas que você não usa e nem vai mais usar, para alguém que não tem condições de ter uma peça. Gastar 2 reais em pão para alimentar uma criança ou qualquer outro morador de rua. Parou pra pensar que muitos estão na rua não porque querem? Não só diga que falta amor. Faça existir o amor.

Em muitas das nossas situações corriqueiras esquecemos que o nossos problemas se tornam pequenos em meio a tantos outros. E que "bom dia, com licença, por favor, desculpa, obrigada, sorria!, parabéns!, boa tarde/noite, como vai você?, como foi seu dia?" e tantas outras palavras boas existem, e que mudam o nosso dia. São palavras que tem um significado imenso. Escutar o que uma pessoa tem pra dizer, sem dúvidas, é uma das melhores coisas que podemos fazer. Você percebe que o mundo não gira só ao seu redor, e que ajudar as pessoas se torna um ato tão bom. 

Tudo isso parece besteira? Besteira talvez para você que tem uma vida boa, não passa stress, não precisa pegar um ônibus lotado, escutar seu chefe reclamar, ter mil contas e dívidas e o dinheiro não ser suficiente para pagar todas. A vida é fácil pra quem não arca com suas próprias necessidades e responsabilidades. Né? Você ri e acha tosco por que talvez uma pessoa se contenta com pouco? Faça melhor. Ajude e pare pra pensar que muitas pessoas tem histórias incríveis para contar, e você é quem se contenta com pouco.

Não digo para você ajudar apenas aqueles moradores de rua, que de fato são os que mais precisam. Mas muitas vezes as pessoas que também precisam ser escutadas estão do nosso lado, pode ser seu pai, sua mãe, algum familiar ou amigo. São tão próximos, mas passamos tanto tempo preocupados conosco que esquecemos de quem está do nosso lado, esquecemos que problemas existem para todo mundo. 

Saiba que palavras e gestos fazem mais a diferença que você reclamar da sua vida em suas redes sociais. Já percebeu que vida maravilhosa você tem? Que você mora na sua casa, dorme na sua cama e que você não tem preocupação com o que comer amanhã? Pois é. Comece a dar valor para coisas que realmente importam, que você verá seus problemas diminuírem. E verás que seus pais estão apenas preocupados. Que tal começar a entender os seus pais ao invés de dizer que eles que não te entendem? Acredite, eles conhecem mais o mundo que você, já vivenciaram mais situações que você.

Não ignore um "bom dia" de alguém, não ache invasivo alguém perguntar como é que foi o seu dia. Solte palavras boas, o mundo precisa disso. O mundo precisa de mais sorrisos e mais cor. De gente que goste de gente. De seres humanos sendo seres humanos. Mande mensagens, demonstre como puder. Mas lembre as pessoas que a vida foi feita para se viver, e não para se lamentar. Que problemas é apenas uma das composições de uma vida.

1ª Aula de Ponta e História com o Ballet

09 dezembro 2015

Oi gente, para quem me acompanha no Youtube, eu postei um vídeo bem legal onde conto muita coisa sobre mim e o ballet que antes eu não gostava de sair contanto, justamente de ter conhecido o ballet (de verdade) meio tarde e ficando meio que "para trás". Mas essa fase passou e resolvi me abrir com vocês e compartilhar essa fase tão boa que foi dançar!!
Se você não me acompanha ainda pelo Youtube, está perdendo tempo!! Clica aqui já e se inscreve!!


Como havia mencionado no vídeo, vou deixar algumas dicas extras aqui:

  • Leve uma toalhinha e muita água;
Acredite em mim, você não vai se arrepender se levar. A tendência é cansar e soar mais, e conforme você soar, você vai precisar de líquido para repor o que está perdendo, então, confia em mim e leva. Se você já leva, ótimo! Só não esqueça de levar no dia.

  • Registre o momento;
Como eu disse, eu não filmei nem tirei foto da minha primeira aula. Mas se você tiver a oportunidade, faça isso! Vai ser bem legal você ver depois de muito tempo como foi sua primeira aula na ponta, e assim, também ver como você evoluiu com o tempo e esforço!

  • Fique ansiosa, mas não nervosa!;
Eu disse pra você ficar ansiosa pelo momento, certo? Mas ansiosa tem uma leve diferença com nervosa. Relaxe no momento em que for subir para não provocar mais dor ou tensão pior. A ansiedade torna o teu momento bom, mas ficar nervosa não vai ajudar tanto.

  • Preste bem atenção nas orientações da sua professora;
É nesse momento que ela vai te orientar e dar as dicas mais importante para você levar por toda sua vida enquanto bailarina. Não só o que ela fala nesse momento que é importante, né? Não preciso nem dizer que tudo o que ela te diz é sim importante. Mas nesse momento, a atenção deve ser em dobro!

  • Coma coisas leves mas que te sustente, antes da aula;
Não só antes da aula de ponta, mas em todas. Só que na aula de ponta, se o seu caso for igual ao meu, que eu sou mais "cheinha" e a tensão sobre meus dedos é bem maior, você não precisará comer um Mc Donald's antes e se sentir mais pesada do que precisa. Então, coma algo leve mas que vai te ajudar a sustentar. Não tome só um suco, coma uma coisa mais leve e forte!

  • Proteja muito seus pés;
Como havia dito no vídeo! Isso é de lei! Se no caso acontecer desconforto, depois vá trocando as coisas que você usa, até achar o ponto mais confortável. Se bem que no começo há desconforto, mas depois acostuma com a dorzinha e tudo mais. Faz parte!


Espero ter ajudado com essas dicas, são dicas simples mas importantes! Se você já fez sua primeira aula de ponta, quer deixar aqui em baixo uma dica também? Deixa aí vaí!!

Um beijo, fiquem com Deus e até o próximo post <3

Me vê dois cafés, bem quentes, por favor.

06 outubro 2015

Continuação da parte 1, para conferir a primeira parte clique aqui.
Todos os direitos da imagem reservados ao link
Cheguei em casa e nem olhei para os meus pais. Subindo para o meu quarto, disse ao meus pais que estava cansada e gostaria muito de ir dormir, fechei a porta do quarto, a tranquei e gostaria que fosse assim, eu e a solidão. Mas, minha mãe logo foi atrás de mim. Sem ter mais forças de dizer que eu não queria conversar, apenas destranquei a porta e comecei a chorar descontroladamente. Quando me acalmei, comecei a contar toda a história e escutar as suas palavras, que pareciam me abraçar a cada frase que saia da sua boca. E naquele papo e carinho de mãe, acabei adormecendo.
Na manhã seguinte acordei um pouco melhor, e o dia também. Estava um sol e um calor bom. Desci e tomei café com meus pais. E quando voltei para o meu quarto vi coisas que não queria, lembrei do que hesitei em pensar por algumas horas. Olhar aquelas fotos, aqueles nossos sorrisos, lembrar que cada passo que dávamos agora é uma lembrança naquele mural era uma tortura pois eram lembranças que eu queria esquecer. Com as lágrimas quase escorrendo pelo meu rosto, lembrei que eu ainda tinha um celular e pessoas que me amavam, então fui procura-lo para saber se um indivíduo, aquele que estava no meu mural, teria sido insistente demais durante o resto do dia. E foi aí que o desespero bateu, não achava o meu celular em lugar algum, nem no meu carro, nem na minha bolsa. Daí me lembrei que a última vez em que estive com ele em mãos havia sido na cafeteria, e assim que sai de lá esbarrei em um garoto e naquele exato momento em que esbarrei, o celular deveria ter caído.
Eu fiquei paralisada, o que mais poderia acontecer para me deixar mais para baixo? Fiquei andando de um lado para o outro até que liguei meu computador. Assim que fiz loggin no meu perfil do Facebook, vi que haviam algumas mensagens não lidas, inclusive a da minha melhor amiga, eu não havia dado notícias a ela e aposto que estaria desesperada por um sinal meu. Eu logo abri a mensagem que dizia o seguinte:
"Amiga, estou preocupada com você. Não me deu notícias desde de quando disse que iria sair com o chato do seu namorado. Liguei para o seu celular e um garoto estranho atendeu mas ele nem sabia o seu nome. Pensei que havia errado o número, mas estava certo, então pensei no pior das piores coisas que poderiam ter acontecido. Mas ele disse que você havia deixado o celular cair e estava tentando se comunicar com você para devolver, mas só um garoto estressado e insistente que estava ligando (sem dúvidas que seria o seu namorado). Ele me pediu para avisar você que está com seu celular e também pediu para você encontrar ele hoje as 17 horas na mesma cafeteria. Eu fiquei assustada. Se você quiser, eu vou com você. Se for trote por favor não vá. E se for me mande notícias, ainda tô praticamente sem entender nada. Beijos. Amo você."
No momento em que li que alguém ainda estava com meu celular, me bateu um breve alívio. Eu a respondi, expliquei como perdi meu namorado, e claro, o celular. Avisei que não era necessário ir comigo, que estava tudo bem e que não era um trote. Liguei para o meu celular, para confirmar a tal história. E no segundo toque alguém atendeu:
- Pronto!
- Oi, então. Eu perdi esse celular, quem está com ele?
- Ah, você é aquela garota que derrubou o café no meu amigo, não é mesmo?
Naquele exato momento eu congelei e rapidamente veio a cena do que havia acontecido, e consequentemente, o sorriso não estranho dele me veio em mente.
- Alô? Você ainda está aí?
- Oi, sim estou. Como faço para buscar? E te recompensar pelo o favor, é claro.
- Foi sua amiga ou o cara chato que te avisou? Ele é seu namorado? Ele ficou bem irritado em escutar minha voz.
Eu já estava irritada pois ele não respondia nenhuma das minhas perguntas.
- Não, ele não é meu namorado. E foi a minha amiga que avisou. Então, posso buscar as 17 horas na cafeteria?
- Interessante. Pode sim, estarei lá.
- Ok. Obrigada!
E eu desliguei.
Eu fiquei paralisada. Eu mal sabia quem era o garoto, mal poderia lembrar direito quem ele era. Mas algo me dizia para ir tranquila, para confiar nele, mas por qual motivo eu teria essa impressão que ele era uma pessoa boa? Talvez porque ele não ficou com o meu celular?
Foi nesses pensamentos que me perdi no tempo, e quando me dei conta já estava quase atrasada para a faculdade. Eu quase não me levantei, mas precisava. Aliás, não dava para ficar pensando no improvável e de bônus ainda me reprimir com a tristeza e angustia que não saía de mim.
Quando cheguei na faculdade encontrei minha amiga e ela me deu um abraço tão forte que eu jamais teria a soltado. E logo começamos a conversar sobre o que eu mais gostaria de esquecer. Ela sempre fez questão de lembrar que odiava o meu atual ex namorado e que ele era um idiota. Se fosse algumas horas atrás eu jamais concordaria, mas naquele momento eu sabia que ela estava certa, sempre esteve.
O sinal tocou e logo subimos para a sala, tudo o que eu queria era a minha cama, uma panela enorme de brigadeiro e ficar a sós com meus seriados e minha nova amiga, a tristeza. Mas eu tinha que estar lá, as 14 horas na mesma faculdade, olhando para as mesma pessoas, mantendo a pose de que estava bem, sem estar.
A primeira aula foi difícil de acompanhar, cada palavra que o professor dizia me fazia viajar, e por segundos pensei que estar presente e estar em casa seria a mesma coisa.
Quando acabaram as aulas, me lembrei que eu tinha algo para fazer: buscar meu celular com o Sr. Marrentinho do sorriso bonito e que não me é estranho. Minha amiga se ofereceu novamente para me acompanhar, na opinião dela era muito estranho em pleno século 21 uma pessoa devolver o celular achado, mas BINGO! Uma coisa boa em tantas outras ruins.
Eu cheguei no horário marcado, talvez quase, na verdade uns 10 minutos depois do horário marcado. Eu não recordava direito como ele era, mas assim que entrei na cafeteria fui direto para o mesmo lugar do dia anterior. Ainda esperei por volta de 10 minutos até que ouvi a porta abrir. No momento em que olhei, nossos olhares se cruzaram e eu vi aquele sorriso, pude ter certeza de quem eu estava esperando havia acabado de chegar.
Ele veio em minha direção e me cumprimentou, antes de se sentar ele disse:
- Antes de te entregar, me diz seu nome, foi difícil tentar se comunicar sem saber o seu nome.
- Oi marrentinho. Meu nome é Bruna, e o seu?
- Marrentinho? Como assim?
- Marrentinho por não responder algumas perguntas, como a que fiz a segundos atrás.
- Ah sim (ele riu). O meu é Marcelo, mocinha. Seu nome é muito bonito, porém prefiro te chamar de Bru, posso?
- Pode sim Sr. Marcelo!
Ele se sentou e entregou o meu celular. Assim que entregou meu celular ele chamou o garçom e pediu dizendo:
- Dois cafés bem quentes que a conversa vai ser longa, por favor.
Ele sorriu para mim e eu sorri de volta. Nós conversamos muito e sobre tudo. Descobri que ele era da mesma faculdade que a minha, porém de curso e prédio diferente, por isso nunca nos encontramos. Eu reparei muito nele e vi que além do sorriso bonito a cor de seus cabelos eram meio acobreados de uma cor difícil de se encontrar, seus olhos eram mel, e sua pele branca feito neve, parecia um anjinho. Nessas comparações na minha mente e os nossos assuntos que pareciam não ter fim. Não percebi que as horas poderiam passar tão rápido e quando me dei conta já estava tarde e eu, como sempre, não havia dado notícias à ninguém. Eu disse a ele que eu precisava ir, e então ele me acompanhou, e por pura coincidência o carro dele estava estacionado ao lado do meu. Assim que me despedi, ele disse:
- Espero que não se incomode mas tirei algumas fotos no seu celular e gostaria que me enviasse, então gravei meu número nele, ok?
- Não acredito! Achei que nesse mundo as pessoas ainda eram menos aproveitadoras!
Nós rimos. Eu disse que estava brincando e que não tinha problema. Antes de entrar no carro, eu o abracei e agradeci por ter ficado e devolvido o celular, perguntei se ele gostaria de alguma recompensa e ele respondeu:
- Minha recompensa foi poder te ver de novo e a recompensa maior será me mandar as fotos e ainda me dizer o que achou.
E ele sorriu. Naquele momento tive a certeza de quem tinha ganhado a recompensa, e com certeza, era eu mesma. Entrei no carro e ele entrou no dele. Viramos e fomos por caminhos diferentes, o sorriso estampado em meu rosto durou até o instante de escutar meu celular tocar e eu anteder.
[Continua]

Tema do projeto Palavra & Foto: "E a cada passo que demos era uma lembrança para o nosso mural."

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